terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A coisa mais transgressora



"A literatura é uma longa conversa telefônica. Formei essa frase e não tive certeza de ter entendido muito bem. Talvez ela faça sentido mais adiante, pensei, e eram uns dias nos quais os telefonemas compridos e sem propósito me faziam falta, eu pensava muito neles, naquelas horas passadas falando com um amigo da escola, porta do quarto fechada, é muito provável que isso nunca aconteça de novo. A gente sabia os telefones de cor. E hoje em dia eu consulto a agenda e ligo para dar um recado telegráfico. Se desvio do assunto, logo estou me policiando, querendo cortar a mim mesma, certa da minha chatice, porque a pessoa deve estar fazendo outra coisa e eu não quero atrapalhar.
E às vezes eu sento no bar com a pessoa e ela está teclando no blackberry.
(Você tem alguns amigos. Mas o incomoda saber que algumas das velhas amizades — e também as recém-estabelecidas — são de uma burocracia vergonhosa. Vocês perderam a espontaneidade, e não há mais tantas reviravoltas na vida para que se passe duas horas falando sobre elas. Além disso, o medo da exposição vem com a idade e a carreira, qualquer que seja ela.) Há um cara que eu conheço que disse: não termino de ler um livro há quatro anos. Ele estava sorrindo. Porque o mundo ficou rápido pra cacete e ele adora isso. Ele adora saber 140 caracteres sobre as coisas. Ele adora aderir a uma causa de 5 minutos. E outro dia, em um programa de rádio sobre cinema, uma convidada confessava que não estava assistindo muitos filmes, apenas séries televisivas, pois ultimamente achava difícil se concentrar durante uma hora e meia. Uma hora e meia!
É nesses momentos que fico pensando que talvez a literatura seja a coisa mais transgressora do mundo contemporâneo (já que até o rock se limpou e se coloriu); você pega um livro para ler e essa atitude é um dedo médio levantado para a rapidez de tudo o que acontece à sua volta. Soma-se a isso o fato de que são apenas linhas e linhas de palavras, uma depois da outra. Em um mundo sobrecarregado de imagens, eu diria que sentar na sua poltrona e abrir um romance é algo semelhante a uma experiência psicodélica.
(Ele tem o projeto de ler Em busca do tempo perdido em 2012. Isso é coragem, o mal-estar necessário, a não-aceitação das regras, a desconfiança de que essa história de geração Y é uma meia mentira ou, no mínimo, um lugar horroroso aonde querer se enquadrar.)
Eu nunca disse para vocês, mas eu me formei em publicidade e propaganda. Sentada no cinema, antes de o filme começar, eu vejo um comercial qualquer e penso em que momento da minha trajetória fez sentido que eu trabalhasse na manutenção dos valores que estão aí, e não na crítica a esses valores (mesmo que ninguém me ouça, é uma satisfação). De modo que percebo: você faz literatura não só por amor à literatura, mas para salvar sua vida."
Blog da Companhia,Carol Bensimon.
http://www.blogdacompanhia.com.br/

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

New deal



Ontem foi a primeira noite no apartamento novo. Cheguei meio pra baixo, chorei um pouco na hora que meus pais foram para a casa deles. Boba eu sei, mas that`s just me. Tomei um banho e fui para o meu quarto. Fiquei um tempão vendo fotos antigas, escutando músicas das minhas férias no Sul que eu não escutava tinha muito tempo, curtindo o quarto novo. Fui me animando e finalmente entendi um pouco o que tenho sentido nesses últimos tempos. Puro medo de ser adulta, de tomar todas as decisões. Apesar de falar sobre as coisas divertidas dessa nova etapa. no fundo não conseguia ver nada disso. To começando a ver e amar!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Casa nova, coisas velhas.



Nesse esquema todo de mudança, tenho achado meus antigos diários, fotos de anos e anos atrás, cartinhas, um monte de tranqueira de quando eu era adolescente. Morro de rir com a maioria das coisas, parece que é tudo de uma outra pessoa. Quanta coisa a gente vive e simplesmente esquece, não é? Sempre gostei de guardar tudo, mas agora nessa mudança tinha jurado jogar fora um monte de coisas. Mas é impossível jogar fora todas essas lembranças, acabei ficando com quase tudo.

Final do ano é só emoção, G-ZUZ!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Estive pensando



"Estive pensando nesse mistério que faz com que a vida da gente se encante tanto por outra vida. E sinta vontade de escrever poemas. Garimpar estrelas. Deixar florir pelo corpo os sorrisos que nascem no coração. Nesse mistério que nos faz olhar a mesma imagem inúmeras vezes, sem cansaço, seja ela feita de papel ou de memória. Que nos faz respirar feliz que nem folha orvalhada. Querer caber, com frequencia, no mesmo metro quadrado onde tal vida está. Cantarolar pela rua aquela canção que a gente não tinha a mínima ideia de que lembrava.

Estive pensando nesse mistério que faz com que a vida da gente encontre essa vida na multidão planetária de bilhões de outras. E sem saber que ela existia, perceba ao encontrá-la que sentia saudade dela antes de conhecê-la. Estive pensando nesse mistério que faz com que aquela vida que acaba de encontrar a nossa nos deixe com a impressão de estar no nosso caminho desde sempre, como se fosse um sol que esteve o tempo todo ali e a gente somente não o ouvia cantar. Nesse mistério que nos faz trocar buquês de olhares mais cuidadosos. Que nos faz querer cultivar jardins, lado a lado. Nesse mistério que faz com que a nossa vida queira um bem tão grande à outra vida, que vai ver que isso já é uma prece e a gente nem desconfia.

Estive pensando nesse msitério lindo que você é para alguém e alguém é para você ou que ainda serão um para o outro. Nessa oportunidade preciosa dos encontros que nos fazem crescer no amor também com o tempero bom da ludicidade. Nesse clima de passeio noturno em pracinha de cidade pequena. Nessa paz que convida o coração a recostar e repousar cansaços. Nesse lume capaz de clarear quarteirões inteirinhos de alma e acender um mundaréu de vontade no corpo. Nesse abraço com braços que começam dentro da gente. Nessa vontade de deixar o mundo todo para depois só para saborear cada milímetro do momento embrulhado para presente.

Estive pensando nesse mistério que não consigo desvendar. Nem tento."

Ana Jácomo

Mais um clube do livro de pura felicidade. O coração se encheu de amor.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Pequenas doses



"Se volto sobre o meu passo,
é já distância perdida.

Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida"

Cecília Meireles

A melhor pessoa para entender nossa sensibilidade: a gente mesmo.