segunda-feira, 25 de março de 2013

Saudade


Onde Eu Nasci Passa Um Rio

Caetano Veloso

Onde eu nasci passa um rio
Que passa no igual sem fim
Igual, sem fim, minha terra
Passava dentro de mim
Passava como se o tempo
Nada pudesse mudar
Passava como se o rio
Não desaguasse no mar
O rio deságua no mar
Já tanta coisa aprendi
Mas o que é mais meu cantar
É isso que eu canto aqui
Hoje eu sei que o mundo é grande
E o mar de ondas se faz
Mas nasceu junto com o rio
O canto que eu canto mais
O rio só chega no mar
Depois de andar pelo chão
O rio da minha terra
Deságua em meu coração

quinta-feira, 21 de março de 2013

Chico

Ontem cozinhei, bebi vinho, recebi umas amigas e tive uma noite ótima. Depois que todo mundo foi embora e eu estava arrumando a casa e, por um presente divino, estava passando um documentário sobre Chico Buarque na televisão. Cada música, cada história, cada amor. Me deu vontade de chorar e ser grata por tudo que já passei nesse departamento. Que graça teria a vida se tudo se resolvesse rápido e a gente não tivesse história para contar?

sexta-feira, 15 de março de 2013

Resposta

Além alma

Arnaldo Antunes / Paulo Leminski

Meu coração lá de longe
faz sinal que quer voltar.
Já no peito trago em bronze:
NÃO TEM VAGA NEM LUGAR.
Pra que me serve um negócio
que não cessa de bater?
Mais me parece um relógio
que acaba de enlouquecer.

Pra que é que eu quero quem chora,
se estou tão bem assim,
e o vazio que vai lá fora
cai macio dentro de mim?

terça-feira, 12 de março de 2013

Traduzir-se

 Traduzir-se

"Uma parte de mim
 é todo mundo:
 outra parte é ninguém:
 fundo sem fundo.

 Uma parte de mim
 é multidão:
 outra parte estranheza e solidão.

 Uma parte de mim
 pesa, pondera:
 outra parte
 delira

 Uma parte de mim
 almoça e janta
 Outra parte
 se espanta

 Uma parte de mim
 é permanente:
 outra parte
 se sabe de repente

 Uma parte de mim
 é só vertigem:
 outra parte,
 linguagem.

Traduzir uma parte
 na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?"

Ferreira Gullar

quarta-feira, 6 de março de 2013

O mergulho


"No exato momento, no exato instante
Em que nós mergulhamos
É preciso entender que não estamos
Somente matando nossa fome na paixão
Pois o suor que escorre não seca, não morre
Não pode e nem deve nunca ser em vão
São memórias de doce e de sal
Nosso bem, nosso mal, gotas de recordação
E é importante que nos conheçamos a fundo
E saibamos quanto nos necessitamos
Pois aqui, eis o fim e o começo
A dor e a alegria, eis a noite, eis o dia
É a primeira vez, é de novo, outra vez
Sem ser novamente
É o passado somado ao presente
Colorindo o futuro que tanto buscamos
Por favor, compreendamos que é o princípio de tudo
Batendo com força em nossos corações
E é importante que nós dois saibamos
Que a vida está mais que nunca em nossas mãos
E, assim, nessa hora devemos despir
O que seja vaidade, o que seja orgulho
E do modo mais franco de ser
Vamos juntos ao nosso mergulho
Por favor, compreendamos que é o princípio de tudo
Batendo com força em nossos corações
E é importante que nós dois saibamos
Que a vida está mais que nunca em nossas mãos
E, assim, nessa hora devemos despir
O que seja vaidade, o que seja orgulho
E do modo mais franco de ser
Vamos juntos ao nosso mergulho"

Mergulho,  Maria Bethânia

segunda-feira, 4 de março de 2013

Eu vi de longe

Meu amor é teu
Mas dou-te mais uma vez
Meu bem
Saudade é pra quem tem
Meu amor é teu
Mas dou-te mais uma vez
Meu bem
Saudade é pra quem tem
Todo o teu amor
Eu vi de longe
De longe...
Dava pra sentir o teu perfume
Eu juro...
Meu amor é teu
Mas dou-te mais uma vez
Meu bem
Saudade é pra quem tem
Todo o teu amor
Eu vi de longe
De longe...
Dava pra sentir o teu encanto
Eu juro...
 Meu amor é teu
Mas dou-te mais uma vez
Meu bem
Saudade é pra quem tem
Meu amor é teu
Mas dou-te mais uma vez
Meu bem
Saudade é pra quem tem

Não me canso dele, de suas músicas, de seus shows e dessa delicadeza de espírito.