quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

És um senhor tão bonito

Tempo. Minhas amigas,  as cartas, o terreiro, o Leonardo. Tudo e todos me receitam esse mesmo remédio. Tão difícil para alguém sempre tão apressada, sempre tentando adivinhar o futuro, resolver tudo logo. Ganhei um coração partido e um problema de saúde que me exigem isso: tempo. Tive o tempo das grandes viagens a trabalho, dos dias de descanso na praia e agora o tempo em casa. Mas até agora, não me dei trégua. Não me dei tempo.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Coração é mar

O coração é mar. Dias de calmaria, dias de fúria, dias de ressaca. Meu coração teve as marés mais difíceis, as ondas mais bonitas, muita vida. Muita destruição também. Às vezes, preciso mergulhar, chorar, sentir, lembrar e deixar ir embora.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

São Miguel

Dez dias de pé no chão, banhos de mar solitários, sol, carinho, livro preferido, choro e riso. Cheguei em São Miguel, o paraíso, num verdadeiro pós cirúrgico, me sentindo no início de uma obrigatória recuperação. Praia para mim não era sinômino de natureza até chegar aqui. Tudo deserto, lindo, rico de natureza e paz. É só o início de uma longa caminhada, mas começar aqui, pertinho de Yemanja, cercada de bons espíritos, do amor doce e leve, de momentos preciosos de solidão e do descanso que esse povoado me deu, fez muita diferença. Ainda tenho muitos dias de férias, assim como dias difíceis e bons pela frente. Mas pela primeira vez em meses tive a sensação que vou me curar. Que serei leve de novo, que sentirei orgulho e amor pelas minhas escolhas, com erros e acertos, que serei feliz.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

adeus,adeus, adeus, meu grande amor

Chorei muito no aeroporto de Juazeiro do Norte. Era o fim de meses de busca, de histórias bonitas, de tanto trabalho, de tanta tristeza, de momentos de alegria infinita, de derramar meu coração para aquela gente do sertão. Meses de batuque, de sol, de musicas e cantorias, de viagens de carro, de carinho para acalmar minha tristeza, rondando um rio e sua gente sagrada. Chorei pela beleza de tudo que eu vivi, por eu ter começado ainda como outra pessoa, tão diferente do que sou agora. Chorei de saudade. Da saudade que eu vou sentir dessas pessoas, saudade do meu sertão, de quem eu sou por lá. Enquanto meu coração se despedaçava, eu ia para lá e conseguia sorrir e chorar, nessa sensação de desafogo que só o descampado da. "Adeus, adeus, adeus, meu grande amor" - me disse uma irmã que fiz por lá. Enquanto eu me perdia, eles me achavam e eu fui acolhida. Me curaram de dias de desespero e angústia. Deixaram minha tristeza e saudade mais amenas, mais bonitas. Vivi a aventura de uma vida e um coração despedaçado ao mesmo tempo. Tudo tão grande, tão forte, tão difícil.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Fracasso

"Todo mundo teve algum "fracasso" em 2016. Algo que desabou, ruiu, que foi percebido como uma ilusão. Algo em que se depositava muita esperança, mas que a realidade mostrou ser diferente. As lições mais valiosas do ano vieram desse "fracasso". Mas quem fracassou foi o ego. A Alma evoluiu. Foi preciso se render. E isso é precioso"

Um filme no close pro fim



Há ilusões perdidas mas tão lindas que a gente as vê partir como esses balõezinhos de cor que nos escapam das mãos e desaparecem no céu...

Mario Quintana, In: A vaca e o hipogrif

O rio


"Sofri o grave frio dos medos, adoeci. Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro — o rio."
Trecho de A terceira margem do rio, in PRIMEIRAS ESTÓRIAS. João Guimarães Rosa. 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Para hoje

"Costumo dizer que moro na terra dos duendes. Aqui aprendo que falar alivia dores emocionais, que o sol queima, a aceitar derrotas. Que paciência requer muita prática. Que o tempo não é algo que possa voltar para trás. E, principalmente, aprendo a perdoar a mim mesma"
Jane

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Sílvia havia comprado presentes, escolhido sua melhor versão, havia feito tanto esforço. Tudo tinha uma intenção, uma espera, uma esperança. Ela estava perdida, interpretando a própria vida, fazendo as escolhas mais erradas, tão longe de si e sem alcançar ninguém. Nem Jango, nem Floriano. Silvia mentiu. A pior das mentiras: a que diminui nossos sentimentos. Floriano simplesmente não existia mais. Silvia escreveu uma longa carta, a mais sincera, a mais doída de escrever. A resposta foi que a verdade pode doer, mas também liberta. 
Já havia passado da hora de Silvia ir embora. O Angico e Jango esperavam por ela. Silvia começou a voltar. A ser só a Silvia novamente. 

Desabei na tempestade

Hoje eu encontrei a Lua
Antes dela me encontrar
Me lancei pelas estrelas
E brilhei no seu lugar
Derramei minha saudade
E a cidade se acendeu
Por descuido ou por maldade
Você não apareceu

Hoje eu acordei o dia
Antes dele te acordar
Fui a luz da estrela-guia
Pra poder te iluminar
Derramei minha saudade
E a cidade escureceu
Desabei na tempestade
Por um beijo seu

Nem a Lua, nem o Sol, nem Eu
Quem podia imaginar
Que o amor fosse um delirio seu
E o meu fosse acreditar

Hoje o Sol não quis o dia
Nem a noite o luar


Maria Bethânia e Lenine

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

"A dor é uma estrada: você anda por ela, no adiante da sua lonjura, para chegar a um outro lado. E esse lado é uma parte de nós que não conhecemos"
Estórias Abensonhadas, Mia Couto. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Silvia olha a cidade ao redor

Silvia anda triste, tentando lembrar quem é, entender a vida. O Angico ainda está lá, a casa, as coxilhas, as flores, os quadros, um cusco feliz, Jango, aquele amor, o trabalho. Tudo que ela não alcança ainda, perdida em um minuano particular que sopra sem parar. A redenção acabara por vir, mas qual será a Silvia depois disso? Algo morreu. Silvia lembra da infância, dos livros que já leu, dos sonhos, da fé finalmente sentida e reconhecida, dos muitos amigos. Quanta intenção em tudo que pensa, que vê. É preciso recolhimento, choro, escrita e atenção. O que ela quer é barulho de água corrente, cheiro de lavanda, desafogo, campo aberto, paz, mais consciência, o presente, o amor sereno e firme de Jango, um entendimento de si mais generoso. Menos sertão. Mais Angico. 
Diante de um leão, Silvia olha a cidade ao redor, finge ter calma, mas tem pressa. Fecha os olhos e espera o recado silencioso de Deus. 

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Tomara meu Deus, tomara




Tomara meu Deus, tomara
Que tudo que nos separa
Não frutifique, não valha
Tomara, meu Deus

Tomara meu Deus, tomara
Que tudo que nos amarra
Só seja amor, malha rara
Tomara, meu Deus

Tomara meu Deus, tomara
E o nosso amor se declara
Muito maior, e não pára em nós

Se as águas da Guanabara
Escorrem na minha cara
Uma nação solidária não pára em nós

Tomara meu Deus, tomara
Uma nação solidária
Sem preconceitos, tomara
Uma nação como nós

O chamado

Sempre fui uma pessoa distraída (ascendente em Gêmeos). A minha profissão foi a coisa mais inconsciente que escolhi na vida. Gostava de ler, gostava de história, tinha uma mente completamente de humanas. Achava Antropologia um nome bonito e tinha uma vaga ideia do que fazia um antropólogo. Cai de paraquedas num curso que abriu minha cabeça, meus horizontes e colocou meus pés um pouco no chão. Mas foi quando virei servidora pública e comecei a rodar o Brasil para conhecer agricultores familiares e comunidades tradicionais, em especial as do nordeste, que meu coração recebeu algum tipo de chamado. Entendi que eu não sabia nada e que deveria abrir o espirito para aquelas pessoas, para aquele conhecimento, exercer minha profissão com amor. Ao todo serão cinco viagens à Pernambuco só esse  ano, percorrendo Agreste e Sertão. Conheci pessoas incríveis, recebi tanto amor e axé, aprendi tanto e em especial vi que nada sabia da história do meu povo. Da verdadeira história.
E é lá no Sertão que curo minha dor. O campo desafoga o coração. O sertão que levo em mim lá silencia.Tenho um trabalho, um ofício simples, que é conhecer essas pessoas e sensibilizar quem trabalha comigo a escuta-las. Essa é a minha Ciência. Me emocionar, aprender e repassar. 
Assim conheci seu Loro, que me deu uma aula e muito carinho. 

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

O mais é nada.

Tão Cedo Passa Tudo quanto Passa
Tão cedo passa tudo quanto passa! 
Morre tão jovem ante os deuses quanto 
Morre! Tudo é tão pouco! 
Nada se sabe, tudo se imagina. 
Circunda-te de rosas, ama, bebe 
E cala. O mais é nada. 

Ricardo Reis, in "Odes" 
Heterónimo de Fernando Pessoa 

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Negro do Osso



Minha profissão me deu muito mais do que jamais imaginei ganhar.

Povo da Rua

Exú, também tem a sua lei,
Exú é mensageiro de Oxalá,
Salve Ordenança de Ogum,
E salve a Banda,
Vem no terreiro de Umbanda trabalhar..
Mas ele é, Capitão da Encruzilhada, ele é,
Mas ele é, Ordenança de Ogum,
Sua coroa quem lhe deu foi Oxalá,
Sua divisa quem lhe deu foi Omulú,
Mas ele é... 
Salve o cruzeiro,
Salve o sol e salve a lua,
Saravá Povo da Rua,
E a Coroa de Oxalá.




Exu é amor em movimento. Minha primeira gira de esquerda foi a gira mais bonita que já participei. Entrei no Congá sorrindo, reconhecendo tudo aquilo, me sentindo em casa. E com a certeza da minha vontade de trabalhar, de viver essa fé, esse karma, esse amor. Quanto axé. 
"Ele mandou chamar..."

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Corre gira que Ogum mandou

Três dias que valem por uma vida. Cheguei em Pernambuco e foi como se o coração duplicasse de tamanho. O que é bom fica melhor, o que é ruim, pior. Ali eu tinha o que fazer, contribuir, aprender, conhecer. Ao mesmo tempo, aquele sol, o sotaque, os cheiros, as experiencias. Tudo me trazia para o sertãozinho que carrego comigo. 
Mas eu sempre digo que as respostas estão nas mulheres. Em 5 horas de estrada de chão, vim escutando Maria Bethânia e conversando com uma das mulheres mais "arretadas" que já conheci. E que por dessas coisas que a vida não explica, dividiu comigo a história do sertão que ela carrega. E me disse que depois que passa, a gente sai mais forte, consciente espiritual. E que nós, mulheres, pagamos o preço bonito de viver um pouco mais. 
Eu disse para ele que aqueles lugares todos, aquelas pessoas, aquelas experiencias me tocavam demais, que me emocionavam muito. E ai ela disse: por isso você também sofre, Gabi. Porque você também intensamente sabe ser feliz e se entregar para esse sertão. 


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Lavanda

Segunda-feira fui pedir benção aos Orixás. A Umbanda, seus cheiros, suas musicas, aquela magia toda que só filho de pemba consegue sentir em um terreiro: estava na hora de voltar. Já na defumação e nos cantos, eu ia me sentindo mais leve. As imagens, a pipoca, o cheiro das ervas, aquela sensação de estar em casa. Ao falar com o vovô, meu coração já estava mais forte. E ele me disse que ia ficar tudo bem, que eu cuidasse do meu dia a dia, dos pequenos rituais de prazer, que meu coração e cabeça estavam descompassados e era hora de ser mais racional. Esmeralda comigo, pedi tanto  por ela e podia senti-la  perto de mim. Depois me deu uma banho de lavanda, o passe e um abraço cheio de amor. Voltei para casa cheirosa, tão feliz, tão leve. Meu cheiro, minha casa, eu novamente. 

sábado, 8 de outubro de 2016

A dialética do amor

"Amor é isto: a dialética entre a alegria do encontro e a dor da separação. De alguma forma a gota de chuva aparecerá de novo, o vento permitirá que velejemos de novo, mar afora. Morte e ressurreição. Na dialética do amor, a própria dialética do divino. Quem não pode suportar a dor da separação não está preparado para o amor. Porque amor é algo que não se tem nunca. É evento de graça. Aparece quando quer, só nos resta ficar à espera. E quando ele volta, a alegria volta com ele. E sentimos então que vale a pena suportar a dor da ausência, pela alegria do reencontro."
Rubem Alves.
A resposta sempre nos livros e caderninhos que carrego comigo. Sortuda. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Feito menino

" A gente estava desagalhado na alegria, feito meninos"
Guimarães Rosa 

Houve uma vez dois verões

Eu lembro que a hora do dia que eu mais gostava eram os fins de tarde. A cidade tão simplória ficava linda na minha expectativa de mais uma noite de verão incrível no pampa gaúcho. As bebedeiras, as tardes de sol, as melancias gigantes, as coxilhas, as idas pra fora, as cumbias, as festas sempre no mesmo lugar (e sempre tão diferentes), os gaiteiros, as voltas de carro sem fim, as cantorias, as gurias, trocar o dia pela noite, os beijos inesquecíveis com gosto de cerveja e sul, o minuano, o calorão sem fim, as rádios, aquele cheiro que só tem lá, a casa da Nega, as junções, São Felipe, banho de açude, cachorro quente do Moeda, o Emiliano, o Dado, aquele céu estrelado, os acampamentos, as ressacas na piscina, o Comercial, o baile da Jupob, trocar de amor de um dia pro outro, o dia que o Alvaro chegava e o resto da cidade morria pra mim, as ciumeiras, as noites que duravam dias, as ligações de madrugada (to aqui fora, sai aí, Bibi), o dia que fui acordada com um tênis jogado na janela, os beijos entre as grades, dormir no quarto e na cama que tinham sido da minha mãe, as mensagens de texto, aqueles meninos de bombacha com tanto orgulho, os churrascos de ovelha, a porta que quando abria gelava meu coração, uma prima doida e amada que até hoje ninguém superou no quesito animação de festa, os inícios de manhã no posto (nunca nunquinha sem beijo), receber a ligação que eu tanto esperava e sair escondida do vô e da vó no meio da noite, do Bernardo, dos cochilos para aguentar a noite, de me maquiar escutando La Barca, de ir a bailes! Em São Gabriel tinha bailes... de tudo soar bem em espanhol! O Uruguai ali do lado. São tantas boas lembranças de ser menina no sul, de passar o verão inteiro feliz numa cidade tão idealizado por mim. São Gabriel é tão provinciana, tão boba, tão graciosa, tão divertida. Minha. Se São Gabriel tivesse que ser uma música, seria Yo Vendo uno ojos negros.
 O Angico depois da árvore no meio da estrada. Hoje minha mãe me ligou e disse que estava indo para São Gabriel e meu coração apertou. Lembrei da sensação de ter um lugar só meu, de ninguém daqui saber de nada, de me esconder numa cidadezinha sem nenhuma importância no extremo sul, de jurar que eu ia morar um dia lá (e ter certeza que jamais suportaria).Eu chorava muito na volta, eram os piores retornos, os mais sofridos. Mas todo ano tinha de novo e tudo se repetia sem erro (em especial os beijos com gosto de cerveja e Sul).


Cuando la luz del sol se esté apagando
Y te sientas cansada de vagar
Piensa que yo por ti estaré esperando
Hasta que tú decidas regresar

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Floriano estava cansado

Silvia ia andando com duas malas e um coração partido, naquele início de noite chuvoso. A certeza ela já tinha, era possivel sentir no ar, mas era preciso dizer tchau. Parecia que toda a rua sabia, todos que passavam por ela. Só que era  preciso falar daquele amor sentido, de tanto carinho, de tanta tristeza e alegria ao mesmo tempo. E Silvia falou muito. Para desafogar um pouco o coração já cheio de saudade. Silvia tocava Floriano, mas não o alcançava mais. E era bonito, porque ela falava também pra si. Para se perdoar por tanto querer, por tantos sonhos, por tanto desejo. Silvia queria  os beijos e o corpo de Floriano de um jeito que ele, sinceramente, disse não poder dar mais a ela. 
No outro dia, releu cartas, chorou, sentiu mais saudade. E disse tchau dentro de si, o mais difícil.
Várias vezes, Floriano havia dito que sentia saudades dela. Aquela era uma coisa de acalmar e ao mesmo tempo dilacerar um coração.  Silvia apagou todas as cartas, menos aquela. Era a ferida acesa, a confirmação de que ela tinha existido. Floriano olhava para Silvia de forma carinhosa, mas cansada. Tanto amor sem reciprocidade... cansa. Só que Silvia ainda se sentia leve, com força, determinada a ser fiel ao seu coração e ao amor simples que sentia.
O que restava a Silvia era voltar ao Angico, aos seus livros, lembrar de si, da mulher que era antes da ferida acesa e da mulher que queria ser agora. Havia tanto a ser feito! O Angico estava ali, firme. E Silvia era mais que aquele amor. Silvia tinha muito o que lutar. Havia uma revolução a ser feita, tantos livros a serem lidos, tantas pessoas a conhecer, tanto sertão para correr. Tanto amor para dar. O amor que Floriano não quis seria transformado em vida. Silvia gostava era de viver.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Voz

"O feminismo de esquerda dá as mulheres um passado, a força de construção do presente e a perspectiva de um futuro. Lutamos contra o patriarcado e o mundo de exclusão. Você tem voz, Gabriela.". Sai da UnB inspirada pelo feminismo de esquerda, que luta contra o patriarcado, contra esse mundo de exclusão e que começa a me dar a voz que me tiraram. A revolução e a resposta serão feministas. 

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Os deuses, as dúvidas.

Depois de ter você,
Para que querer saber que horas são?
Se é noite ou faz calor,
Se estamos no verão,
Se o sol virá ou não,
Ou pra que é que serve uma canção como essa?
Depois de ter você, poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas,
Para que amendoeiras pelas ruas?
Para que servem as ruas?
Depois de ter você.